“Uma alma com uma dimensão inquestionável, alguém não revelado, cujos sonhos e lembranças acabam se tornando fantasmas na sua vida cotidiana. Tudo transita entre o agora e o passado. O corpo sofre com as reminiscências e vive entre esse mundo real e o que não existe mais. Talvez sejam fantasmas, talvez seja loucura, talvez seja dor, talvez seja desilusão ou talvez seja apenas um sonho”.
Essa é a proposta da cena que o ator e estudante Rafael Garcia do curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina leva para os palcos da mostra do Festival Internacional de Curitiba. Rafael que cresceu artisticamente em Garça e que já participou de diversas apresentações aqui na cidade hoje já se apresenta profissionalmente nos palcos pelo Brasil.
Sozinho em cena o ator-estudante vive uma pessoa que sofre com as lembranças do passado, que pode ser interpretado como um sonho, ou uma recordação, onde talvez a sua vida real seja um ambiente tão irreal quanto seus sonhos. A cena é obscura e assustadora, onde os sonhos perturbadores nunca param de ecoar. O personagem passa o medo que sente a todo o momento.
“É como se estivessem dentro de sua cabeça, os sons são como se fossem uma perturbação que ele não consegue silenciar”, ressalta Rafael. O cenário sombrio e pouco iluminado dá uma atmosfera fria. É apenas um quarto escuro onde a tensão de uma alma inquieta é capaz de criar um suspense totalmente fora do quotidiano, causando desconforto em que vê e ouve.
“Estações Mortas fala de aspectos sombrios, tenebrosos, claustrofóbicos, horripilantes, extraídos do pesadelo mais longínquo e perturbador das nossas profundezas. Foi uma pesquisa muito fascinante, pois a cena foi um processo final da disciplina de Interpretação II, ministrada pela Profª Ms. Thais D’Ambrozo. Durante o ano todo buscamos por referências poéticas e teóricas para trabalhar em sala de aula, quando depois de muito tempo e trabalho a gente chega em um resultado, que é a cena. Então, é uma experiência muito grande levar esse processo para o festival, e quero compartilhar minhas ideias com os curitibanos, ouvir críticas e apresentar meu projeto”, explica o ator.
“Estações Mortas” fala sobre culpas, desejos, perdas passadas e, principalmente, loucura humana: “Por mais que obscuro seja, duro e complicado de digerir, ‘Estações Mortas’ conta sobre a vida de mais uma alma que vive se arrastando pelo passado, o que talvez aconteça com milhares de pessoas no mundo, loucas ou não, tudo é tão comum quanto estranho”, descreve Rafael.
Segundo o estudante, essa tem sido uma experiência fascinante, e ele acredita nessa sensação não só em relação a ele mesmo enquanto ator, mas quanto à receptividade de quem vai assistir: “Não é tão fácil entender o que acontece, nada vem mastigado ou fragmentado, pois o texto está no corpo e nos movimentos, além é claro que trabalho com ruídos perturbadores o tempo todo (...) é uma quebra total do mundo lá fora, onde a atmosfera em que trabalho é diferente, escura e sombria. É legal trabalhar com isso, gosto do escuro, do sombrio, de colocar um pouco de medo no público, afinal falo de pesadelos perturbadores, de lembranças e no que elas interferem nas pessoas”.
E o ator garcense não embarca neste trabalho sozinho; ele também conta com a parceria da diretora – e sua amiga -, Francine Gomes, que cursa o mesmo período na faculdade, além de ter o apoio da própria instituição de ensino.
Antecipadamente, Rafael Garcia faz questão de agradecer pelo incentivo de Katia Magaly e Susy Mey, “pois foi com elas que cresci na arte aqui em Garça”, destaca o ator; e também pelo espaço cedido pela imprensa local.
Estações Mortas estreia no Festival Internacional de Curitiba nos dias 28 e 29 de março. Outras informações: www.festivaldecuritiba.com.br